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sábado, 10 de janeiro de 2026

Célia Pessegueiro e a Política Sem Contabilidade

Há textos políticos que revelam ingenuidade. Outros denunciam demagogia. Alguns expõem algo mais grave: a ausência completa de condições intelectuais para governar. A moção de estratégia global apresentada por Célia Pessegueiro pertence, inequivocamente, a esta última categoria. Não por aquilo que proclama, justiça social, inclusão, e futuro, mas pelo que sistematicamente omite: a realidade económica que torna qualquer política pública possível.

A moção é um exercício de retórica distributiva desligado de qualquer estrutura de financiamento credível. Enumera políticas, multiplica compromissos, promete expansão do Estado regional em praticamente todos os domínios, habitação, rendimentos, educação, saúde, mobilidade, inclusão, como se a Região Autónoma da Madeira fosse uma entidade abstrata, imune às leis elementares da economia política. Não é. É uma região ultraperiférica, demograficamente frágil, com uma base fiscal estreita e dependente de crescimento económico real para sustentar qualquer ambição social.

Nada disto parece ser compreendido pela candidata.

Em momento algum a moção enfrenta a questão central: de onde vem a receita? Como se alarga a base tributária? Como se cria riqueza nova em vez de redistribuir escassez antiga? A resposta é simples: não enfrenta. Contorna. Silencia. Finge que o problema não existe. Governa-se, aparentemente, por desejo e proclamação moral.

Tal não é um detalhe técnico. É o núcleo da governação. Qualquer proposta com impacto orçamental, e praticamente todas as constantes da moção o são, exige receita permanente, previsível e sustentável. Essa receita só pode resultar do alargamento da base económica regional. Não por via de maior carga fiscal sobre os mesmos contribuintes, já exauridos, mas através da diversificação e internacionalização do tecido económico.

É aqui que a omissão se torna politicamente imperdoável.

A moção ignora deliberadamente o único instrumento estrutural de que a Madeira dispõe para esse alargamento: um sistema fiscal próprio, competitivo, capaz de atrair investimento estrangeiro produtivo, empresas internacionais e emprego qualificado. Ignora, com particular zelo ideológico, o Centro Internacional de Negócios da Madeira, não enquanto fetiche técnico, mas enquanto instrumento de soberania económica regional.

Não se trata de discordância acidental. Trata-se de recusa estratégica. A moção prefere a ficção de uma Autonomia moralmente afirmada, mas materialmente vazia, a uma Autonomia com substância económica. Prefere redistribuir o que não cresce a criar condições para que algo cresça. Prefere o conforto retórico do humanismo abstrato ao desconforto político de defender instrumentos eficazes, mas ideologicamente incómodos.

Esta recusa tem consequências diretas, sobretudo no plano demográfico. A moção fala longamente de juventude, mas não compreende a sua lógica vital. Jovens qualificados não se fixam por subsídios nem por discursos edificantes. Fixam-se por emprego qualificado, salários compatíveis com a sua formação e perspetivas de carreira inseridas em cadeias económicas internacionais. Tudo isto exige um tecido económico que a moção não apenas ignora, como implicitamente rejeita.

A cadeia causal é inexorável e conhecida: diversificação económica gera emprego qualificado; o emprego qualificado fixa jovens em idade reprodutiva; essa fixação assegura sustentabilidade demográfica; e só essa sustentabilidade garante, a prazo, a viabilidade do próprio Estado social que a moção promete expandir. Romper esta cadeia, como a moção faz, é preparar o colapso silencioso do sistema que se diz defender.

Não estamos perante um desacordo de política pública. Estamos perante uma falha estrutural de compreensão do que é governar uma região autónoma no século XXI.

Autonomia não é proclamação identitária. Não é slogan. Não é moralismo. Autonomia é capacidade de decidir com meios próprios. Uma Região que abdica dos instrumentos fiscais que lhe permitem criar riqueza nova não é autónoma; é dependente com retórica. Uma Região que rejeita investimento produtivo internacional enquanto multiplica promessas orçamentais não é progressista; é irresponsável.

No final, a moção revela aquilo que tenta esconder: uma visão de governação baseada no pensamento mágico, no assistencialismo sem contabilidade e na crença infantil de que o Estado pode distribuir indefinidamente sem criar. A história europeia está repleta de exemplos onde este tipo de política foi tentado. Nenhum terminou bem.

A Madeira não precisa de mais manifestos morais. Precisa de estratégia económica, coragem política e compreensão das condições materiais da autonomia. Uma candidatura que não compreende isto não falha apenas em apresentar soluções. Falha no teste elementar da governação.E quando uma moção revela incapacidade para pensar o futuro económico da Região, não estamos perante uma alternativa de poder. Estamos perante um exercício de retórica bem-intencionada, e absolutamente incapaz de governar.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Cafôfo e a Frente Anti-Autonomista

"Ficou bem expressa uma vontade de mudança na população e é por isso que aqui afirmo uma declaração de intenção: estou disponível para fazer uma coligação com todos os partidos da oposição." - Paulo Cafôfo, Presidente do PS-Madeira

Ao 2.º dia do mês de Fevereiro de 2024, Paulo Cafôfo, Presidente do PS-Madeira, declarou à comunicação social estar disponível para liderar a primeira grande frente Anti-Autonomista das história da Região Autónoma da Madeira. Ao fim de quase meio século de Autonomia Politico-Adminstrativa o PS-Madeira coloca a nu as suas verdadeira cores: anti-autonomista e central-colonialista.


Mas se olharmos para a Legislativas de 2022 basta ver que falamos do mesmo PS-Madeiara com assento na AR que foi incapaz de defender o CINM ou o RIN-MAR. Nem conseguem convencer os colegas de bancada continentais!

Falamos do mesmo PS-Madeira o mesmo que afundou o CINM na passada legislatura, e que diz-se agora amigo do empresário.

Falamos do mesmo PS-Madeira que se cristalizou como inútil na defesa dos superiores interesses económicos, fiscais e sociais da Região Autónoma da Madeira não foi o PSD-Madeira, mas sim o PS-Madeira. A sucursal do Largo do Rato mais não faz que carimbar toda e qualquer proposta do PS nacional, seja ela boa ou má para a Região Autónoma da Madeira.

Falamos do mesmo PS-Madeira que agora se propõe a coligar com os herdeiros do Marxismo, Leninismo e Trotskismo, herdeiros de um colonial-centralismo e da teoria do endeusamento do Estado omnipresente e omnipotente, dono e tudo e todos, inimigo da propriedade e iniciativas privadas, e consequentemente negacionistas do primado da pessoa humano.

O PS-Madeira é, hoje, nada mais que o reflexo do retrocesso ideológico do PS, desligado da realidade Madeirense e Portossantense e opressora do Direito à autodeterminação da Região Autónoma da Madeira ao negar-lhe mecanismos de desenvolvimento anteriormente concedidos a outros territórios sob administração portuguesa (Macau).

Tudo pelo poder, nada pelo Povo.


quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Hipocrisia Socialista

Na conferência subordinada ao tema 'Juventude: Conhecimento e Oportunidades', promovida pelo Gabinete de Estudos do PS-Madeira, no passado dia 12 de Novembro, Sérgio Gonçalves, líder do PS-Madeira, proferiu o que todo o Economista já sabe: que os baixos salários e os setores económicos tradicionais da Região Autónoma da Madeira (RAM), o turismo e a construção, fomentam a fuga de população jovem, independentemente do grau de qualificação que esta detenha.

Que o PS-Madeira tenha levado mais de 46 anos a perceber que a RAM necessita de “atrair e de criar mais empresas” não é de admirar. O que é de admirar é a hipocrisia da sucursal do Lago do Rato na RAM em acusar o Governo Regional e ALRAM de nada fazerem, quando compactuam com as políticas coloniais-centralistas de uma metrópole que ainda não decidiu a localização do principal aeroporto nacional!

Os principais interlocutores socialistas que nunca defenderam a capacidade jurisdicional (Autonomia) da RAM para criar o seu sistema fiscal, sistema financeiro, Código de Direito Comercial e Direito de Imigração e Residência próprios, essenciais a qualquer pequena economia insular para a captação de investimento estrangeiro, de mão-de-obra qualificada e fixação da população qualificada residente, tentam agora dar lições de “moral” em conferências que nadam acrescentam às soluções há muito conhecidas mas nunca constitucionalmente implementadas (à excepção de Macau)!

Lembre-se que o mesmo partido que diz defender melhores condições de trabalho e melhores remunerações para os jovens foi o mesmo que implementou os vistos dos nómadas digitais (algo que a Madeira poderia ter implementado se tivesse capacidade jurisdicional - Autonomia - suficiente), o qual exige aos candidatos um rendimento mensal mínimo de 2820€ (ou 3020€ em 2023), para os qualificarem para o dito visto, quando muitos jovens portugueses auferem apenas ordenado mínimo nacional!

Ou seja, os socialistas reconhecem que o verdadeiro ordenado de um jovem qualificado deveria ser no mínimo 2820€, no entanto o PS prefere sorver o rendimento dos jovens e das empresas portuguesas implementando uma das cargas fiscais mais elevadas da Europa, 53% no que diz respeito aos indivíduos e 31,5% no que diz respeito às empresas (dados Tax Foundation, 2022). Esta hipocrisia socialista traduz-se no facto das empresas portuguesas terem de gastar 1,73€ para conseguirem dar 1€ de poder de compra real (antes do IVA) a um empregado que ganhe um salário médio, ao passo que as empresas maltesas e cipriotas têm que gastar apenas 1,40€ e 1,33€, respetivamente (dados da Ernst & Young - para IEM Institut économique Molinari, 2022). O mesmo é dizer que o poder de compra real dos malteses e dos cipriotas é superior ao dos portugueses em 830€ e 6365€, respetivamente (Ernst & Young - para IEM Institut économique Molinari, 2022)! Tudo isto sem contar com o impacto da ultraperiferia no caso da RAM!

Posto isto, ou o PS-Madeira corta o cordão umbilical com o Largo do Rato e assume a defesa da única solução que resta à Madeira, Autonomia plena em todos os domínios, ou continua o seu discurso hipócrita de que a culpa é toda do partido que se encontra no poder, na RAM, desde 1976, o qual sempre defendeu a Autonomia como solução de desenvolvimento sócio-económico!

quinta-feira, 24 de março de 2022

Devaneios do PS-Madeira

Congresso do PS-Madeira 

Passada a reunião da sucursal do “clube de amigos” do Largo do Rato, no passado fim-de-semana, constata-se que “vira o disco e toca o mesmo”. Mas não se pode esperar outra coisa do PS-Madeira! 

É, no entanto, “engraçado” de se ver que Sérgio Gonçalves comunga, aparentemente, do mesmo espírito de defesa do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) que Miguel Albuquerque. Pena é que o mesmo não refere na sua moção que se “inspirou” nas sugestões lançadas por Jaime Esteves (Partner da PwC) a 12 de Julho 2017, na conferência “O Papel da Zona Franca da Madeira na Internacionalização da Economia Portuguesa”, e desde aí defendidas pelo atual líder do PSD-Madeira. 

Resta saber se a moção de Sérgio Gonçalves (a qual nada concretiza em que moldes o CINM se pode tornar ainda mais competitivo em termos internacionais), é para cumprir ou é para não passar do papel como aconteceu com o mesmo tema na moção de Paulo Cafôfo. De promessas socialistas vazias sobre o CINM já andam mais de 3000 trabalhadores (in)diretos, FARTOS! 

Calado(s) 

Como se não bastasse a ambiguidade do PS-Madeira face ao CINM, o mesmo continua a política de silêncio quanto à defesa do mesmo (andam a contar com os ovos [subsídios] dentro da galinha [orçamento de estado]?). 

Veja-se o silêncio ensurdecedor quanto à “propaganda ideológica e mentira contra a Madeira na RTP, pela voz da face do socialismo televisivo, a inenarrável [Filomena] Cautela”, do qual o especialista em assuntos europeus, Dr. Tiago Freitas, deu alerta. Ou ainda o silêncio do PS-Madeira quando o Governo da República, liderado por António Costa, voltou a perdoar a dívida de uma ex-colónia no decorrer deste ano. Faço a mesma pergunta que o Dr. Alberto João Jardim fez em Setembro de 2011: “desde o 25 de abril, qual foi o montante que [Portugal] perdoou de dívida aos países africanos, que hoje são independentes…?”.

Quanto à opinião do atual líder do PS-Madeira sobre a dívida histórica do estado central à RAM, cientificamente documentada? ZERO!

O silêncio quanto aos assuntos acima identificados só pode ter uma explicação aparente: o PS-Madeira, seja qual for a liderança que elege, continua subserviente à política económica colonial-centralista que o Largo do Rato quer impor às Regiões Autónomas.

Essa subserviência foi também patente na campanha eleitoral que fizeram aquando das últimas legislativas, urdindo junto do eleitorado que o PSD-Madeira iria cortar subsídios que, em última análise, são competências do Governo da República (recorde-se que a Segurança Social está regionalizada meramente do ponto de vista administrativo)!

"Se não se conhece a história, pensa-se a curto prazo. Se se conhece a história, pensa-se a médio e longo prazo". - Lee Kuan Yew, Pai-Fundador e Primeiro-Ministro de Singapura entre 1959 a 1990. 

in JM-Madeira

domingo, 13 de março de 2022

Rescaldo da reunião da sucursal

Passada a reunião da sucursal do “clube de amigos” do Largo do Rato, no passado fim-de-semana, constata-se que “vira o disco e toca o mesmo”. Mas não se pode esperar outra coisa do PS-Madeira! 

É, no entanto, “engraçado” de se ver que Sérgio Gonçalves comunga, aparentemente, do mesmo espírito de defesa Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) que Miguel Albuquerque. Pena é que o mesmo não refere na sua moção que se “inspirou” nas sugestões lançadas por Jaime Esteves (Partner da PwC) a 12 de Julho 2017, na conferência “O Papel da Zona Franca da Madeira na Internacionalização da Economia Portuguesa”, e desde aí defendidas pelo atual líder do PSD-Madeira, Miguel Albuquerque. 

Resta saber se a moção de Sérgio Gonçalves, a qual nada concretiza em que moldes o CINM se deve tornar ainda mais competitivo em termos internacionais, é para cumprir ou é para não passar do papel como aconteceu com o mesmo tema na moção de Paulo Cafôfo. De promessas socialistas rotas sobre o CINM, já andam mais de 3000 trabalhadores, diretos, FARTOS!

Sobre o futuro do CINM

Seja qual for o espectro político de quem tencione defender o CINM, importa que o seguinte fique claro: a competitividade internacional do mesmo tem que ser assegurada, seja por via de negociações com a Comissão Europeia, seja por via da Plena Autonomia Legislativa Fiscal da Região Autónoma da Madeira.

Não basta assegurar a competitividade fiscal do CINM, há que alargar o seu escopo quer em termos de atividades económicas que nele podem ser exercidas, as quais deverão ser todas as existentes (exceto pescas, agricultura e mineração), quer em termos do tipo de embarcações que nele podem ser registadas. 

De igual forma há que legislar no sentido de assegurar que os serviços de custódia patrimonial, os serviços de e-gaming e e-gambling, e a gestão e corretagem de carteiras de cripto-ativos sejam atividades que possam ser exercidas de acordo com os melhores standards internacionais e da forma fiscalmente mais eficiente possível sem violar normas internacionais nem colocar a credibilidade do CINM em causa.

Sobre a matéria acima descrita, o congresso da do “clube de amigos” do Largo do Rato deixou muito a desejar. Direi mesmo mais, Sérgio Gonçalves não deixará marca política na Região Autónoma da Madeira se não se impuser contra o colonial-centralismo e municipalismo de António Costa.


P.S.: Se querem garantir o futuro desenvolvimento social da Região Autónoma da Madeira deixo aqui a lista de medidas que rapidamente deverão defender, sejam os leitores socialistas, sociais-democratas ou de outra cor política, as seguintes medidas: https://archive.org/details/expatriados-captar-e-reter e https://archive.org/details/policy-paper-repensar-o-centro-internacional-de-negocios-da-madeira_202103.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

O inadmissível silêncio do PS-M (II)

Após o incansável trabalho da Deputada Sara Madruga da Costa (PSD-M) para com o CINM - Centro Internacional de Negócios da Madeira, como é capaz o PS-M continuar impassível, amorfo e frouxo sobre esta fonte de receitas da para a Região Autónoma da Madeira (RAM). Como é capaz o PS-Madeira continuar calado sobre o meio de subsistência de mais de 3000 trabalhadores directos, outros tantos indiretos e suas famílias? Como é capaz o PS-M continuar impassível para com o futuro da melhor ferramenta de captação de investimento directo estrangeiro em Portugal e de diversificação económica de uma região ultraperiférica? 

Sendo o PS-M incapaz de defender tão preciosa ferramenta, para a RAM e para Portugal, como CINM, então este não é um partido, nem poderá sequer dizer que defende o desenvolvimento da RAM ou a melhoria das condições de vida da sua população. O PS-M mais parece um grémio de "esquerdistas caviar” sem qualquer conhecimento básico sobre desenvolvimento económico insular, tributação e captação de investimento. Um mero clube do PS nacional interessado em importar para a Região Autónoma da Madeira a subsídio-dependência e em sabotar o investimento na RAM, seja ele no CINM ou na Economia do Mar.

Mais grave ainda, esta secção consular do PS nacional, dito “defensor da economia e da população da Madeira”, dedica-se a práticas típicas dos políticos da Metrópole: o neocolonialismo ideológico, político e económico. O PS-M não pode dizer-se alternativa de governo quando NEM UMA ÚNICA VEZ, apresentaram uma justificação LÓGICA para os sucessivos chumbos do PS nacional feitos ao CINM; quando nem uma única vez apresentaram propostas na Assembleia da República para a defesa da ferramenta geradora de riqueza na RAM.

SOBRE O FUTURO DO CINM
O futuro do CINM, a sua continuidade e competitividade tem que ser assegurado e quem não for a favor do mesmo deverá ser politicamente rotulado de inimigo da Madeira. Trata-se afinal da única alternativa ao turismo, que conjugada com o setor da Economia do Mar, permite a diversificação e crescimento sustentável da Madeira. Importa por isso, que PSD e CDS, pressionem o PS-M a tomar uma posição CLARA, CONSISTENTE e CREDÍVEL quanto ao futuro do CINM. Urge, no Regime V, assegurar a competitividade e operacionalidade internacional do CINM. Urge lobby em Lisboa e em Bruxelas. Urge lobby junto do sector bancário para que as empresas do CINM não vejam as suas operações quase que sabotadas, trata-se afinal de empresas portuguesas que pagam IRC de 5%, salários, contribuições para a segurança social e IVA. Urge DEFENDER o CINM como o oxigénio da economia regional. Defender o contrário é condenar a Região a mero jardim onde todos são jardineiros em vez de latifundiários.

SOBRE AS MEDIDAS DO GOVERNO REGIONAL RELATIVAMENTE AO COVID-19
Se os constitucionalistas abrilistas (incluindo alguns idiotas inúteis locais), consideram as medidas do Governo Regional da Madeira feridas de inconstitucionalidade, então a RAM, em substituição das medidas tomadas, tem toda autoridade e legitimidade para introduzir, e cobrar, uma taxa moderadora correspondente ao custo efetivo diário do internamento para todos os internados com COVID-19 sem a respectiva vacinação em dia.

P.S.: Espero que o Presidente da ACIF-CCIM use do direito de resposta para publicar no Público, o esclarecimento sobre o CINM que partilhou nas redes sociais.

P.P.S.: O Governo Regional processará os responsáveis do jornal Público, nos termos do n.º 2 do artigo 332.º do Código Penal, pela capa que publicou no passado dia 22 de Novembro de 2021?

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

O inadmissível silêncio do PS-M (I)

No passado dia 10 de Novembro, os deputados à Assembleia de República, Sara Madruga da Costa (PSD) e Carlos Pereira (PS) evidenciaram esforços para que, aquando das alterações ao Estatuto dos Benefícios Fiscais se aprovasse a prorrogação da vigência do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM, também conhecido como Zona Franca da Madeira), até finais de 2022, como aprovado pela Comissão Europeia. Porém, e como seria de esperar, os demais deputados do PS na Assembleia da República recusaram tal alteração, alegando não haver necessidade da mesma, pasme-se a imbecil audácia! 

Mais grave ainda foi o facto do PS boicotar a discussão “– que já estava agendada e que, inclusive, foi aprovada pelo Presidente da Assembleia da República”. Esta “brincadeira” demonstra a irresponsabilidade do PS para com a economia nacional e madeirense, ao fazer com “que, pelo menos durante seis meses, seja impossível licenciar novas empresas e garantir mais emprego para prejuízo do CINM e da economia de toda a Região”.

A atitude do PS, na Assembleia da República, é deliberadamente neo-colonialista, e portanto dolosa, evidenciando uma total alienação do partido face à realidade económica regional e atendendo à imperiosa necessidade de diversificação da economia regional num contexto pós-pandémico e de sustentabilidade de longo prazo da mesma. Mais uma vez o PS afronta os legítimos interesses económicos da Região Autónoma da Madeira enquanto Região Ultraperífica, mais uma vez o PS tenta condenar a economia madeirense à armadilha de desenvolvimento económico que acarreta o turismo. Objectivamente, o desígnio nacional do PS para com a economia da Região Autónoma da Madeira é a indigência das suas populações e o serventilismo turístico da “esquerda caviar” local.

Porém, o mais grave no meio desta tragédia, é o TOTAL SILÊNCIO do PS-Madeira, qual escritório de vão de escada, face à atitude do congénere nacional. Nem uma palavra sobre o vil ataque ao CINM, fonte de receita fiscal importantíssima para a Região e âncora da mais de 3000 postos de trabalho, muitos deles altamente qualificados no setor terciário da nossa economia. Resta perceber a razão deste silêncio, se por medo, se por ignorância, se por mera vassalagem. Por agora, este silêncio do PS-Madeira demonstra uma só coisa: laxismo, incúria, ignorância e incapacidade total para defender os legítimos interesses económicos da Região Autónoma da Madeira no seio PS nacional.

Mas o problema da prorrogação do CINM não recai só sobre o PS. A Assembleia Legislativa da Madeira, os seus deputados, os deputados Madeirenses à Assembleia da República e o Governo Regional, foram, todos eles, avisados pela ACIF-CCIM que a prorrogação do CINM até 2022 deveria ser obtida DEPOIS da aprovação do OE 2021 e ANTES da discussão do OE 2022. Fica a pergunta: andaram todos os políticos com responsabilidade neste assunto tão importante para o futuro da economia Madeirense a dormir na forma?!

As ações antagónicas à Região Autónoma da Madeira, praticadas ao longo da história da região, sob diversas formas, por Lisboa, e identificadas pelo ilustre Advogado e Comunista Rui Nepomuceno (História da Madeira – Uma Visão Actual, 2006), persistem na psique e práxis dos políticos da Metrópole.

O que fará a Região Autónoma da Madeira sem receitas do CINM? Que fará com os seus 3000 trabalhadores se tudo isto colapsar por falta de entendimento político? Se calhar será melhor o Governo Regional começar seriamente a pensar em albergar 3000 pessoas qualificadas nos quadros da função pública regional… Ao final de 35 anos de CINM esta PALHAÇADA entre políticos madeirenses há muito que deveria ter acabado!

Em sede de autonomia fiscal é caso para nós, Madeirenses, nos irmos mentalizando das palavras de Sua Majestade Imperial D. Pedro I, Imperador do Brasil: “independência ou morte!”.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

26 de Setembro: Lutar por "Capelinhas"

Já defendi, múltiplas vezes, neste Jornal, que no contexto de aprofundamento da Autonomia Político-Administrativa da Região Autónoma da Madeira a existência de municípios e freguesias é não só um obstáculo para o desenvolvimento sócio-económico da Região mas ao próprio funcionamento da Autonomia.

A luta por “capelinhas” entre partidos políticos e seus membros por meros centros administrativos que mais não fazem do que distribuir licenças, materiais de construção, “gerir” cemitérios e esplanadas, é, no mínimo, constrangedora de se ver. Verdade seja dita o Poder Local há muito que deixou de ter a relevância política e funcional que em tempos teve. Num contexto de Autonomia Política no qual a Região Autónoma da Madeira se encontra (e aspira), a sua extinção, mais do que inevitável, é imperiosa.

Os políticos verdadeiramente autonomistas não podem continuar a defender o municipalismo nem a existência de órgãos de poder local, ao invés devem advogar a total extinção dos mesmos. Consequentemente, os políticos verdadeiramente autonomistas devem advogar a respetiva transferência de competências do poder local para um instituto público sob tutela do Governo (como aconteceu com a Região Administrativa Especial de Macau) ou para o próprio Governo (como aconteceu em Singapura). 

As 11 “capelas” e 53 “poios” que compõem o Poder Local na Região Autónoma da Madeira põem em perigo o desenvolvimento sócio-económico da Região, veja-se a “birra” de Célia Pessegueiro com a aquacultura ou a ciclovia de Miguel Gouveia que virou pista de atletismo, e mais não são do que mera desculpa para o famoso “ping-pong” associado à (des)responsabilização entre autarquias locais e Governo Regional. Diga-se de passagem que o “ping-pong” associado à (des)responsabilização entre autarquias locais e Governo Regional serve um grande propósito ao Governo da República, a desvalorização da Autonomia Político-Administrativa sob o execrável argumento que uma “Região Autónoma tem o mesmo tamanho que um município do continente e não se consegue governar internamente...". 

A Madeira, tal como Macau e Singapura, não comporta a existência de municípios e freguesias que mais não fazem do que “desviar” fundos para funções acessórias que podem ser plenamente assumidas e centralizadas pelo Governo Regional e Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira num instituto público.

Mais cedo ou mais tarde, o fim do Poder Local na Região Autónoma da Madeira será um assunto que terá que estar na agenda política regional por três motivos, em especial: o aprofundar da Autonomia Política do arquipélago; a crescente municipalização de várias competências do Governo da República (algumas das quais sob tutela do Governo Regional), a qual poderá levar a tensões entre Poder Local e Poder Regional ou o esvaziamento de competências Autonómicas; e a eventual quebra de receitas por via do “encolhimento” populacional previsto para a Região Autónoma da Madeira.

O que precisamos não é de mais Poder Local, mas sim de melhor Autonomia Regional.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Luz ao fundo do túnel?

Hoje, 18 de Janeiro de 2020, o Diário de Notícias da Madeira anuncia, com pompa a circunstância que o PS-Madeira (e respetivo líder) querem liderar o debate do aprofundamento autonómico. Como tal, PS-Madeira irá submeter propostas de revisão da Lei das Finanças Regionais e do Estatuto Político-Administrativo da Região da Autónoma da Madeira ao principal órgão legislativo autonómico.

Hoje, pela primeira vez (desde que me lembro ser gente), o PS-Madeira parece assumir um compromisso com o necessário aprofundamento da Autonomia financeira e fiscal da Região Autónoma da Madeira. 

Segundo a informação veiculada no Diário de Notícias da Madeira, o Grupo Parlamentar do PS-Madeira tem como principais objectivos:

  1. Afirmar o princípio de igualdade de tratamento (em termos de financiamento por parte do Estado) entre as duas Região Autónomas (Madeira e Açores);
  2. Aumentar o diferencial fiscal de 30% para 50%, face à República Portuguesa;
  3. Garantir um regime de capitação do IVA sem ajustamento ao diferencial;
  4. Introduzir excepções ao endividamento das Regiões Autónomas;
  5. Rever a fórmula de cálculo do Fundo de Coesão previsto no artigo 49.º da Lei das Finanças das Regiões Autónomas;
  6. Ampliar o poder de adaptação do sistema fiscal nacional à realidade regional;
  7. Reforçar a articulação entre a República Portugal e as Regiões Autónomas tendo em vista a adopção de medidas específicas que promovam o desenvolvimento económico destas ao abrigo do disposto no artigo 349.º do TFUE - Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.
Não obstante a proposta ainda não ter sido formalmente apresentada na Casa da Democracia da Região gostaria, desde já, tornar claro o seguinte relativamente aos pontos acima identificados:
  1. Tal igualdade deverá ter por base a "cláusula da Região mais favorecida".
  2. O diferencial fiscal deve ser aumentado para 60%, face à República, de forma a assegurar real competitividade fiscal da Região face ao Estado-Membro da UE com a taxa de IRC mais baixa, a Hungria (9%). Tal medida garantiria a quase inutilidade de renegociar o Centro Internacional de Negócios da Madeira com a Comissão Europeia;
  3. Nada a assinalar;
  4. As exceções ao endividamento das Regiões Autónomas devem, única e exclusivamente, versar sobre situações da calamidade pública (sejam elas catástrofes naturais, crises humanitárias ou situações de pandemia);
  5. Nada a assinalar;
  6. O poder de adaptação do sistema fiscal português à realidade regional de nada servirá se o mesmo nada puder fazer quanto à incidência e a taxa de cada imposto ou quanto à fixação dos termos em que podem ser concedidas isenções e outros benefícios fiscais.
  7. O reforço da articulação entre o Estado Português e as Regiões Autónomas tem que passar também por um reforço da participação das Regiões Autónomas nas negociações e relações internacionais. Consequentemente uma revisão dos artigos 94.º, 95.º e 96.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira é necessária.
Da notícia veiculada na comunicação social sobre o aprofundamento da autonomia, o PS-Madeira esteve, em geral, bem. No entanto poderia ter aproveitado a oportunidade para mostrar ainda maior liderança no que ao aprofundamento da Autonomia diz respeito.

Algumas das medidas que o PS-Madeira poderia ter hoje proposto, acabando por perder uma excelente oportunidade:
  • A completa extinção do cargo do Representante da República ou a substituição deste por um Representante da República eleito por 2/3 da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira ou, idealmente, pelos eleitores residentes na Região Autónoma da Madeira;
  • A revisão da lei eleitoral da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira para que esta contemple um círculo eleitoral da emigração e a limitação dos eleitores àqueles nascidos na Região Autónoma da Madeira, seus descendentes e demais portugueses com mais de dois anos e meio de residência efetiva na Região à data das eleições;
  • A extinção da junta de freguesia do Porto Santo e alocação dos poderes desta à respetiva Câmara Municipal (como acontece na ilha do Corvo).
Esperemos que as medidas anunciadas pelo PS-Madeira sejam discutidas e aprofundadas em conjunto com PSD-Madeira e CDS-PP-Madeira, os superiores interesses da Região Autónoma assim o exigem. Que haja luz ao fundo do túnel e que o electricista seja o Bloco Central e a sua oposição construtiva.

O Dia em que a Lei nos Declara Idiotas

 Há leis que regulam. Outras que ordenam. E há aquelas, mais raras e mais reveladoras, que insultam. O chamado “Dia de Reflexão” pertence a ...