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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Como ficar bem na fotografia



A atual situação que se verifica com o Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) é totalmente lamentável, quer do ponto de vista político, quer do ponto de vista sócio-económico e fiscal.

Princípio: Toda esta situação começou com a desonestidade intelectual de Ana Gomes, que já em 2017 preparava a sua candidatura à Presidência da República, altura em que, fazendo uso da sua posição de Eurodeputada, levanta falsas questões em torno do CINM junto da atual Vice-Presidente da Comissão Europeia, Margrethe Vestager. Passados 3 anos, e sem um pingo de vergonha na cara, Ana Gomes visita a Região Autónoma da Madeira, na qualidade de candidata presidencial, esgrimindo de novo o CINM com o intuito de “ensinar” os madeirenses sobre os problemas do mesmo enquanto tenta dar lições de Economia Insular, cadeira que nunca estudou. “Atirando verdes para apanhar maduras” diz a senhora ser muito estranho que Madeira não tenha indústria de transformação pesqueira. Tivesse a senhora se mantido no seu galho saberia que a Madeira não tem plataforma marítima e por isso recursos haliêuticos suficientes para sustentar uma indústria conserveira. Enfim, é o que dá ter o pensamento cristalizado na “era da manufactura”, assente em mão de obra barata, e quiçá com intuito de facilitar a imigração de pessoal não qualificado para uma região ultraperiférica que precisa de internacionalizar a sua economia, fixando população jovem (altamente) qualificada aproveitando as potencialidades da Universidade da Madeira, e colhendo os benefícios da globalização.

Meio: Por seu turno, a Comissão Europeia, também cedeu aos lobbies (resta saber se de “praças”, alegadamente concorrentes ao CINM, se de defensores do colonial-centralismo tipicamente lisboeta que quer condicionar o eleitorado madeirense). Convinha por isso o Governo Regional, SDM e ACIF-CCIM exigirem publicamente que a Comissão Europeia, em nome da transparência que esta tanto defende, a lista de todas as partes interessadas que se pronunciaram sobre o processo de investigação ao Regime III do CINM bem como o teor das suas observações. Afinal uma consulta pública não pode ter contributos secretos! Falta de transparência que não permite uma RUP se defender e representar os seus legítimos e fundamentados interesses.

Fim: Desde 2012, altura em que concluí a minha tese de mestrado sobre o CINM e potencial de geração de receita fiscal deste (Jurisdiction and economic competitiveness in a european outermost region: the case of the Autonomous Region of Madeira) que sempre me deparei com a questão dos lobbies das “praças” concorrente e a falta de desígnio nacional para com o CINM. Caros stakeholders, o CINM foi fundado há exatamente 40 anos! Quantos mais anos vão andar no jogo do empurra relativamente à culpa da “má publicidade” e das “más línguas” para justificar os constantes ataques ao CINM? 40 anos é muito mais do que duram certos casamentos, certamente teriam tido tempo (e recursos) suficientes para montar uma ofensiva lobbista sustentada e articulada contra os “obscuros” lobbies que tentam destruir aquele que é, hoje, o segundo setor mais importante da economia da Região Autónoma da Madeira!

Fotógrafo: a beleza da fotografia depende muito mais de quem a tira do quem nela figura. Relativamente ao CINM e à sua manutenção talvez não fosse má ideia o fotógrafo ter uma formação profissional ou ser substituído por alguém com experiência internacional na dita arte.

sábado, 2 de março de 2019

As Estatísticas que os Políticos Evitam



De acordo com a Federal Reserve Bank of St. Louis (um dos 12 Federal Reserve Banks que compõe a Reserva Federal dos Estados Unidos da América), desde o ano 2000 que mais de 4 milhões de empregos industriais foram automatizados/robotizados só nos EUA. 

 

Ao mesmo tempo que se assiste a uma crescente automatização do setor industrial nos EUA, o US Bureau of Labor Statistics, regista uma das taxas de participação na vida activa mais baixa (62,9%) desde os finais da década de 1970. Verifica-se ainda uma tendência desta taxa se aproximar para valores semelhantes aos verificados pouco antes das mulheres terem entrado em força no mercado de trabalho após a II Guerra Mundial.

 

A acompanhar as estatísticas da crescente automatização inteligente, começada em 2000, verifica-se, de acordo com o US Bureau of Labor Statistics e a Social Security Administration, uma acentuada quebra do rácio entre do número de trabalhadores e o total da população ativa (de 65% em 2000 para 59% em 2015) e o aumento de dois pontos percentuais, na mesma década, no rácio entre o número de inválidos e a população ativa.

 

De igual forma e no mesmo período, o número de suicídios por 100.000, relacionados com o abuso de álcool e drogas, na população com idades compreendidas entre os 50 e os 54, duplicou, passando de cerca de 40, em 2000, para 80 em 2014.

 

As potenciais consequências da automatização não terminam aqui, em 2016 a Casa Branca admitia, que nos EUA 83% dos trabalhadores que auferissem menos de 20 dólares por hora assistiriam à automatização do seu posto de trabalho. Já o US Census Bureau, em parceria com o US Bureau of Labor Statistics e o Bain Marco Trends Group prevêem que a partir de 2020 sejam perdidos anualmente a favor da automatização cerca 2,5 milhões de postos de trabalho, o mesmo é dizer que entre 20% a 25% dos americanos perderão os seus postos de trabalho num espaço de 10 a 20 anos. Desses anuais 2,5 milhões de desempregados, apenas 0,7 milhões conseguirão reingressar no mercado de trabalho.

 

Vários economistas americanos alertam que num prazo de 3 a 5 anos a automatização verificada no setor industrial chegará rapidamente aos call centers, retalho (veja-se o exemplo das caixas automáticas nos supermercados e fast food) e transportes (veja-se o exemplo dos carros e camiões sem condutores desenvolvidos pela Mercedes, Volvo, e a start up TuSimple que já arrecadou financiamento de 95 milhões de dólares e está valorizada em 1 bilião de dólares).

 

Num futuro cada vez mais automatizado, os políticos Europeus, Portugueses, Madeirenses e Açorianos andam muito calados. Não querem discutir o impacto da maior revolução tecnológica da Humanidade, a Inteligência Artificial, nem da cada vez mais urgente necessidade de implementação do Rendimento Básico Incondicional, corretamente denominado, por Andrew Yang, candidato democrata às presidenciais americanas de 2020, por Dividendo da Liberdade.

 

in SOL


domingo, 30 de dezembro de 2018

Futuro Nulo?



Em 2030, 800 milhões de postos de trabalho irão desaparecer graças ao crescimento da automação e da inteligência artificial. Falo num mero prazo de 12 anos, mais ou menos o mesmo que dois mandatos do atual Presidente da República.

 

O McKinsey Global Institute, responsável pelo estudo do impacto da automação e inteligência artificial, apurou ainda que economias como a Alemanha e os EUA tenham que “re-treinar”, pelo menos, um terço do mercado de trabalho por forma a absorver o impacto crescente da automação/inteligência artificial. Já no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, 20% dos atuais trabalhadores perderão os seus postos de trabalho, enquanto que nos EUA entre 39 a 73 milhões de empregos poderão ser eliminados até 2030, sendo que apenas 20 milhões desses trabalhadores podem ser facilmente transferidos para outras indústrias.

 

Em Portugal, e na Madeira, já se assiste à automação, a qual já começou nas caixas tipo “self-service” dos supermercados e restaurantes e irá continuar muito em breve com os barmans nos hotéis e restaurantes a serem substituídos por robôs como o “Makr Shakr” (https://www.youtube.com/watch?v=Q2cMgJmMt4I).

 

Enquanto isso os políticos do mundo desenvolvido, do alto da sua privilegiada cúpula adiam medidas como o Rendimento de Cidadania (ou Rendimento Básico Universal - http://rendimentobasico.pt/), das mesma forma que adiam, desde os anos 80 do séc. XX, medidas concretas e juridicamente vinculativas, a uma escala global, contra o Aquecimento Global e as Alterações Climáticas.

 

Baby boomers e Geração X fecham-se perante a realidades fria dos factos e dos números, escudando-se nos privilégios de que beneficiam e ignorando o corrupto legado que deixam aos seus filhos e netos, fruto de uma lógica Keynesiana de que “no longo prazo estamos todos mortos”, ignorando que um dia esse “todos” pode ser a própria Humanidade. De todo o debate em torno da temática das implicações relacionadas com a automação e inteligência artificial pode dizer-se que os políticos agem como verdadeiros privilegiados, escravos dos benefícios que para si próprios criaram, e que os tornam arrogantes perante a necessidade da adaptação rápida a um futuro que chega já daqui a dois mandatos presidenciais.

 

No entanto, esquecem-se que essa mesma arrogância apenas promove injustiças futuras e que com isso lançam as sementes das quais brotaram ruína socioeconómica. Esta arrogância mostram o quão maus administradores são os políticos, procurando sempre adiar decisões (em funções de votos futuros), pedindo um sem fim de comissões e relatórios sobre os assuntos, apenas para acumular um sem número de provas que possam desculpar quaisquer eventuais erros futuros.

 

A continuar esta trajetória de indecisão e constante hipotecar do bem-estar socioeconómico de gerações futuras, a única memória histórica que estas gerações farão dos políticos de hoje em dia, os quais anseiam por imortalidade no anais da história do seu próprio país, será a de tiranos auto-indulgentes. Fica por isso a questão, vamos nós, Madeirenses e Portugueses, esperar por “santos milagreiros” que já aqui andam desde o 25 de Abril?

 

P.S.: Quanto ao Governo Regional abrir concurso para contratar 130 assistentes operacionais para as escolas da Madeira recomendo que pesquisem no Google pelo vídeo da AJ+ com o título “Japanese Students Clean Classrooms To Learn Life Skills” (https://www.youtube.com/watch?v=jv4oNvxCY5k). 

 

 P.P.S.: Quanto ao tema aqui abordado sugiro que procurem pelos discursos do candidato democrata à presidenciais americanas de 2020, Andrew Yang.

 



O Dia em que a Lei nos Declara Idiotas

 Há leis que regulam. Outras que ordenam. E há aquelas, mais raras e mais reveladoras, que insultam. O chamado “Dia de Reflexão” pertence a ...