Cito hoje a opinião de Kathony Jerauld, sobre a “liberdade” de não usar máscara, tornada viral pelo movimento “Occupy Democrats”:
“Bem-vindos ao Café da Liberdade!
Confiamos em si para tomar a sua própria decisão quanto ao uso de máscara. E, no mesmo espírito de liberdade individual, permitimos que o nosso staff faça às suas escolhas relativamente aos procedimentos de segurança que preferem seguir enquanto preparam a sua comida.
Encorajamos os nossos colaboradores a lavar as mãos depois de utilizar a casa de banho, mas por favor entenda que que alguns empregados podem ser alérgicos a certos sabões ou simplesmente preferem não lavar as suas mãos. Não é nossa política dizer o que fazer ou como fazer.
Percebemos que esteja habituado a que o seu frango seja cozinhado a 165.ºC. Mas tem que respeitar o facto de alguns dos nossos cozinheiros terem visto um meme ou vídeo do Youtube afirmando que bastam 100.ºC para que o frango fique bom e como tal não queremos desrespeitar os seus credos.
Alguns dos nossos empregados de mesa desejam tocar com as próprias mãos a comida que lhe servem. Não há razão para que uma pessoa saudável não toque com as suas mão limpas a sua comida. Acreditamos na palavra dos nossos empregados de mesa de que são saudáveis e que têm as mãos limpas.
A temperatura da água e o detergente são escolhas meramente pessoais dos nossos colaboradores. Permitimos que a nossa equipa que lava a loiça decida como prefere lavar a mesma loiça que estará em contacto com a sua comida.
Alguns de vós poderão ficar doentes, mas quase toda a gente sobrevive a uma intoxicação alimentar. Pensamos que é um pequeno preço a pagar pela doce liberdade de ninguém ser alguma vez mandado, especialmente pela estúpida razão de salvaguardar a saúde de estranhos.”
A ironia acima demonstra bem quais as consequências de não seguir as recomendações das autoridades de saúde. Acresce ainda o facto de muita gente ignorar as consequências decorrentes do Artigo 270.º do Código Penal o qual tipifica como crime a propagação de doença contagiosa com pena de prisão de 1 a 5 anos, quando a Covid-19 é na maioria dos casos uma doença assintomática.
Em tempos de pandemia o correto uso de máscara em todos os lugares públicos ou privados, em conjunto com as medidas de higienização e distanciamento social, são a única coisa que nos permite levar uma vida “normal” em oposição ao caos sócioeconómico.
"Saúde e dinheiro ninguém sabe quem os tem."
in JM-Madeira
Blog oficial da atualidade da regional, nacional e internacional comentada por Miguel Pinto-Correia, Economista.
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domingo, 9 de agosto de 2020
quinta-feira, 2 de abril de 2020
Ainda Sobre as Máscaras
As autoridades de saúde portuguesas continuam a ignorar o óbvio: as jurisdições com melhor achatamento da curva de casos de COVID-19 são aqueles em que há tradição/consciência social de alguém doente utilizar máscara (vide gráficos publicados pelo Financial Times). A recusa da OMS e das múltiplas autoridades de saúde ocidentais face ao uso generalizado de máscaras por parte da população tem apenas uma justificação lógica: não existiam, nem existem nesses países stock suficientes para acomodar a população e o setor da saúde simultaneamente.
Recorda-se que desde o início da pandemia que para além da Região Administrativa Especial de Macau [https://tinyurl.com/macaucovid], a Região Administrativa Especial de Hong Kong [https://tinyurl.com/hkcovid], a República Popular da China [https://tinyurl.com/zhcovid], a República da China (Taiwan) [https://tinyurl.com/twcovid], a República da Coreia (Coreia do Sul) [https://tinyurl.com/skrcovid], a República de Singapura [https://tinyurl.com/singcovid], e mais recentemente a República Checa [https://tinyurl.com/czechcovid], a República Áustria [https://tinyurl.com/oecovid] e a República da Eslovénia [https://tinyurl.com/slovcovid] tornaram o uso de máscara em pública obrigatório.
Estas recomendações seguem: os resultados publicados no estudo científico publicado na Cochrane (Jefferson T, Del Mar CB, Dooley L, Ferroni E, Al‐Ansary LA, Bawazeer GA, van Driel ML, Nair S, Jones MA, Thorning S, Conly JM. Physical interventions to interrupt or reduce the spread of respiratory viruses. Cochrane Database of Systematic Reviews 2011, Issue 7. Art. No.: CD006207. DOI: 10.1002/14651858.CD006207.pub4.); as orientações da República Popular da China; e as orientações do Professor Kim Woo-joo responsável pela TEPIK - Iniciativa Transgovernamental para a Pandemia da Gripe na Coreia, a qual conduziu, com cientistas japoneses, um estudo sobre a duração da suspensão aérea do COVID-19, que dura 20 minutos.
Afirmar que a utilização de máscara é mais complicado que o simples lavar de mãos é completamente inconsequente, é apelidar a população de idiota, ainda mais se tivermos em conta que o tempo de incubação do vírus é de 14 dias, durante o qual o portador pode ser assintomático. Assim, as instruções para não utilização generalizada de máscaras é um convite à total contaminação gratuita da população saudável ainda que com todas as precaução decorrentes do estado de emergência em vigor.
Nas palavras do Chanceler da Áustria, Sebastian Kurz: “Estou plenamente consciente de que as máscaras são estranhas à nossa cultura. Isso exigirá um grande ajuste. Ainda assim, o meu objectivo é que no médio prazo a população as adopte como primeira medida de precaução [em conjunto com o lavar de mãos]”.
Mas não foi só a Áustria que recomendou o uso de máscaras, também a Associação Médica de Alemanha, liderada por Klaus Reinhardt fez o mesmo apelo. Resta saber até quando Portugal vai resistir a esta recomendação.
Na opinião de Stuart Lau, correspondente do South China Morning Post, para os especialistas de saúde no Leste da Ásia, que há meses incentivam o público a usar máscaras, o anúncio da Áustria é visto como um render tardio às suas recomendações.
in JM-Madeira
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Tecnocracia
Se a Ciência e a Política, numa democracia liberal, devem estar ao serviço da Humanidade, por que razão teima a última em não dar a mão à primeira?

Ainda que uma forma de governo puramente tecnocrática seja no mínimo discutível, facto é que em pleno séc. XXI, com todos os avanços tecnológicos, conhecimentos científicos adquiridos em todos os domínios, e na alvorada da inteligência artificial, se admita sequer a possibilidade, nas democracia liberais ocidentais, de pôr em causa tais conhecimentos.
Pois, nas palavras de Lee Kwan Yew, “surpreendentemente, a maioria dos líderes do mundo ocidental contemporâneo no governo não possuem experiência ou qualificações especiais [necessárias]. Muitos são eleitos porque soam e ficam bem na televisão. Os resultados são sempre infelizes para os seus eleitores”.
A esmagadora maioria do problemas políticos, económicos e sociais é facilmente solucionada não pelo mero achar, pensar e argumentar entre partidos, mas pela simples e rápida implementação de soluções suportadas por estudos científicos. O combate às alterações climáticas e aquecimento global é um desses problemas para o qual várias soluções científicas são conhecidas, mas que os políticos teimam em “empurrar com a barriga” com medo de perderem votos e não afrontar o status quo económico.
Se a Ciência e a Política, numa democracia liberal, devem estar ao serviço da Humanidade, por que razão teima a última em não dar a mão à primeira? Percebe-se que os políticos têm sempre medo de perder votos, pois tal implica deixar de viverem no conforto das cadeiras do poder, no entanto pergunto aos contribuintes: quando é que vão passar a julgar as políticas públicas de acordo com os resultados visíveis e mensuráveis das mesmas, em detrimento das intenções que lhe são subjacentes? Afinal, como diz o ditado, de boas intenções está o Inferno cheio.
Numa democracia liberal, de cariz tecnocrático, todos os problemas para os quais existam uma clara e comprovada solução científica deverão ser solucionados de tal forma, sem que tal solução seja sujeita a um desgastante, ineficiente e teatral debate político. A eficiente e científica gestão dos parcos recursos existentes não pode, nem deve ser sujeita à conveniência partidária, sendo que o único limite que se deve impor é a escrupulosa e inalienável proteção dos Direitos Humanos.
“A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais” - Sir Winston Spencer-Churchill
in JM-Madeira
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