sexta-feira, 12 de março de 2021

Sobre os Sussex


Brasão de Armas do Duque e Duquesa de Sussex

SS.AA.RR. o Duque e a Duquesa de Sussex concederam, no passado dia 7 de Março de 2020, à Senhora Oprah Winfrey uma entrevista na qual fazem discutem alegados factos relativos ao seu matrimónio, deveres público-constitucionais e parentalidade.

Antes de abordar as alegações feitas pelo casal ducal, importa, antes demais, reproduzir aqui o comunicado da Casa Real de Windsor sobre as referidas alegações:

Posto isto, debrucemo-nos sobre as alegações feitas pelo casal ducal:

  1. 'Discussões sobre o quão escuro o bebé de Meghan pode ser' - A Duquesa alega, que o Duque lhe transmitiu que houve um Membro da Família Real que se encontrava "preocupado" sobre a cor do futuro Conde de Dumbarton (Archie Windsor). 
    • Sendo qualquer forma de racismo condenável, importa, no entanto, colocar as seguintes questões:
      • Qual a necessidade do Duque de Sussex de, alegadamente, transmitir conversas privadas entre membros da sua família à mulher durante a gravidez das mesmas, que em nada contribuem para o seu bem-estar psicológico?
      • Qual a necessidade do Duque de Sussex de partilhar o conteúdo de alegadas conversas que em, última análise devem ser transmitidas à Chefe da Família Real no intuito de disciplinar a pessoa em causa?
      • Qual a necessidade do Duque de Sussex de partilhar com o mundo uma alegação que, em última análise, coloca todo o trabalho de uma Família em prol da convivência harmoniosa entre todos os Povos da Commonwealth, independentemente do seu background?
      • Qual a moralidade do Duque de Sussex para partilhar questões privadas de família, as quais deverão ser resolvidas no seio da mesma, tendo em conta os antecedentes do mesmo em termos de comportamento público racista?
    • Todos os biógrafos, staff, família afastada e público em geral reconhecem que nenhum dos atuais membros da Família Real tenha tido qualquer atitude racista, quer para com a Duquesa de Sussex, quer para com qualquer cidadão do mundo.
    • Nas palavras do Sir Kenneth Olisa, primeiro Lorde Tenente afro-descendente: "minha esposa e eu discutimos a cor de nosso filho mestiço com nossa família". Mais, o mesmo Lorde Tenente, dá um testemunho do acolhimento e civilidade da Família Real para com qualquer pessoa, independentemente do seu background, no Daily Mail.
  2. O "problema" do Conde de Dumbarton (Archie Windsor) não possuir título.
    • A Duquesa insinúa que por motivos, alegadamente, raciais que o seu filho primogénito não receberia título ou segurança.
      • Enquanto filho de um Duque, o primogénito do mesmo pode utilizar como título de cortesia o segundo título detido pelo pai (i.e. Conde de Dumbarton).
      • No termos das Cartas de Patente de 1917 emitidas por S.M.B. o Rei Jorge V: "É declarado pela Carta Patente que os filhos de qualquer Soberano do Reino Unido e os filhos dos filhos de qualquer desses Soberanos e o filho mais velho vivo do filho mais velho do Príncipe de Gales terão e sempre terão e desfrutarão do estilo, título ou atributo de Alteza Real com a sua dignidade titular de Príncipe ou Princesa prefixada aos seus respectivos nomes cristãos ou com os seus outros títulos de honra; que, salvo o acima referido, os títulos de Alteza Real, Alteza ou Alteza Serena, e a dignidade titular de Príncipe e Princesa cessarão, excepto os títulos já concedidos e não invocados; e que os netos dos filhos de qualquer desses Soberanos na linha masculina directa (salvo apenas o filho mais velho vivo do filho mais velho do Príncipe de Gales) terão o estilo e o título de que gozam os filhos dos Duques". 
        • "Trocado por miúdos": apenas os filhos e netos do monarca através da linha masculina recebem automaticamente o título de Príncipe ou Princesa, assim como o primeiro filho do filho mais velho do Príncipe de Gales (Príncipe Jorge). Isto significa que os filhos da Princesa Ana, Zara Tindall e Peter Phillips, não receberam um título à nascença, mas as Princesas Beatriz e Eugenie, como as filhas do Duke de York, receberam.
      • Tendo em conta a posição na linha de sucessão, sétima, ao trono britânico, não seria de esperar que o Conde de Dumbarton, alguma vez recebesse segurança paga pelos contribuintes britânicos. Como tal, competiria ao Duque de Sussex, financiar a mesma através do seu património pessoal. Aliás, como acontece, com os seus demais primos.
      • O Duque de Sussex não pode alegar desconhecer as regras acima, nem tão pouco as ter omitido da sua mulher.
      • É também do conhecimento público que a S.M.B. a Rainha Isabel II e S.A.R. o Príncipe de Gales querem reduzir o número de membros ativos, com funções oficiais, dentro da Família Real (à semelhança das restantes Casas Reais Europeias), reduzir de funções esse que se estende ao filhos da Princesa Real, Anne, às filhas do Duque de York (as quais não têm protecção policial paga pelos contribuintes) e aos filhos do Conde de Essex.
  3. A Duquesa alega que nunca teve qualquer tipo de apoio para desempenhar as funções público-constitucionais decorrentes do seu casamento com o Duque.
    • Para que conste: 
      • "Havia uma equipa brilhante de ajudantes muito experientes e leais para os ajudar. Infelizmente, a Duquesa e o Duque não estavam dispostos a dar ouvidos a ninguém. E essa é a verdade honesta'
        • Lembre-se que a Duquesa recusou o aconselhamento contra o uso dos diamantes de sangue sauditas.
      • S.M.B. a Rainha Isabel II convenceu mesmo pessoalmente a sua antiga vice-secretária privada Samantha Cohen, de longa data e extremamente popular, que tinha acabado de entregar o seu aviso após ter trabalhado para a Real Casa durante a melhor parte de duas décadas, a permanecer e trabalhar para o casal. 
        • Ela foi a sua primeira secretária privada conjunta, dirigindo a sua vida privada e pública como um chefe de gabinete. Uma das suas principais funções era ajudar a orientar Meghan durante o casamento e prepará-la para a vida real. 
        • A assistência à Duquesa incluía sessões regulares de tutoria sobre tudo, desde etiqueta real ao protocolo diplomático no Palácio Kensington.
        • Samantha Cohen é, no seio da Casal Real, vista como a colaboradora mais eficiente e capaz pela própria Rainha.
      • Além de ter recebido os serviços da Sra. Cohen, a Duquesa foi também colocada em marcação rápida com o Oficial Superior da Rainha, o Tenente-Coronel Nana Kofi Twumasi-Ankrah, da Cavalaria Doméstica. Os oficiais superiores são funcionário que ajudam a organizar o diário da Rainha e as funções oficiais, aparecendo frequentemente ao seu lado.
      • A Duquesa pôde apoiar-se numa das senhoras mais graduadas da Rainha, Lady Susan Hussey, a viúva do ex-presidente da BBC Marmaduke Hussey e uma das madrinhas do Príncipe Guilherme.
    • Tendo em conta a ajuda proporcionada, o feitio da Duquesa e do Duque levaram ao afastamento de toda uma equipa, que desde o início, tinha como missão facilitar a integração da plebeia na Casa Real e o desempenhar das suas funções. Havendo por isso um padrão que se repete na vida da Duquesa.
  4. A Duquesa disse que estava à beira do suicídio mas foi-lhe recusada ajuda
    • Ainda que o pensamento suicida seja algo extremamente grave, as alegações da Duquesa não batem certo dado a rede de suporte da mesma:
      • A mãe da Duquesa de Sussex gere uma instituição sem fins lucrativos para prevenir o suicídio, mas aparentemente não foi capaz de ajudar a própria filha?
      • O marido, sabendo dos problemas enfrentados pela mãe, e sendo patrono de caridades de doenças mentais não soube ver os sinais?
      • A Casa Real tem departamento médico completíssimo que serve não só a Rainha, como também todos os seus funcionários e demais membros da Família Real. Torna-se, portanto, impossível que lhe tenha sido negado ajuda médica de qualquer forma, até porque os próprios médicos atuam de acordo com um juramento universal.
  5. A Duquesa alega que não pôde aceder ao seu passaporte, carta de condução e chaves.
    • Os documentos de identificação dos membros da Família Real são guardados sob fortes medidas de segurança por forma a garantir a integridade dos referidos documentos e garantir que a sua identidade não lhes é roubada.
    • A Duquesa fez uso do seu passaporte e teve acesso ao mesmo sempre que precisou de viajar de forma privada ou oficial (ela fez 13 visitas internacionais oficias).
    • A Duquesa não podia, efetivamente, conduzir no Reino Unido sem passar as devidas provas de adaptação à condução à esquerda. Note-se que nenhum membro da Família Real se encontra proibido de conduzir.
    • A Duquesa não precisava de quaisquer chaves para aceder à sua propriedade no Reino Unido.
  6. A "prisão"
    • O casal Sussex alega que se sentiam presos numa armadilha, sem o saberem, que estavam presos dentro do sistema,  presos a uma vida de causa pública e da qual não podiam sair à semelhança do Príncipe de Gales e do Duque de Cambridge. 
    • O Duque e a Duquesa de Sussex, melhor do que ninguém, sabem perfeitamente que é possível deixar essa “prisão” que alegadamente os atormentava, bastava terem tido a coragem do Duque de Windsor, o qual renunciou todos os direitos sucessórios e abdicou do trono. Porque não abdicou o Duque de Sussex todos os direitos sucessórios para si e para os seus descendentes?!
  7. Acusações contra S.M.B. a Rainha Isabel II
    • Pergunta-se também se o Duque de Sussex não terá faltada ao respeito para com a avó, indiretamente chamando-a de senil, ao insinuar que a mesma não sabe escolher os seus conselheiros, dado que no seu "entender" a mesma está a ser mal aconselhada.
  8. Falta de memória
    •  O Duque alega que "nunca pôde andar de bicicleta quando era criança", no entanto não faltam fotografias do mesmo em criança andando de bicicleta com os pais e o irmão.
  9. A grande incongruência
- Oprah: Então, em conclusão, se tivesse tido o apoio [apoio financeiro adicional e segurança paga pelos contribuintes] , ainda estaria lá?
- Harry: Sem dúvida.
- Meghan: Sim.



Posto isto, nada mais há a acrescentar a uma entrevista que foi muito bem resumida por S.A.I.R. o Arquiduque Carlos de Habsburgo: "Os dois estão tão abaixo na linha de sucessão, para não dizer praticamente inexistentes, que não desempenham qualquer papel a este respeito. E só por essa razão, uma aparição tão globalmente difundida parece-me completamente inapropriada. Se existem realmente problemas ou dissonâncias na esfera privada, então seria mais apropriado discutir e esclarecer tais coisas especificamente num ambiente privado. Para mim, esta aparição mediática não é uma questão. É apenas mexericos internos e lixo".

P.S.: "Os Duques de Sussex entraram definitivamente na rota das celebridades. Apenas a patine da família real, que lhes confere a fama e a vida de privilégio de que dispõem, os faz distinguir de uma qualquer celebridade vulgar de um Big Brother ou de uma socialite americana qualquer nesta era Kardashian/Hilton.

E é assim que aquela badalada entrevista à rainha da vulgaridade americana tem de ser entendida: um exercício de futilidade remunerável. Ganhar a vida.

De resto o lamentável Harry deixou de ser merecedor da sua posição, do seu título e apanágio, ao ter escolhido passar a ser uma mera celebridade - o mero marido de uma actriz americana de segunda categoria.

Aliás só mesmo à máquina publicitária do Palácio de Buckingham potenciada nesta era tão chunga é que ocorreu há uns anos tentar reapresentar Meghan como uma nova Grace Kelly para melhor a enquadrar na família real. Mas esse esforço inicial seria sempre um flop: nem em sonhos esta americana actriz secundária no cinema só com um papel de relevo numa série televisiva mediana se poderia comparar a Grace Kelly no seu tempo. Uma que era uma actriz portentosa, que trabalhou com Hitchcock e os melhores realizadores, ganhadora de um Oscar por um papel inesquecível, e filha de uma família americana cheia de classe e com uma sólida educação. Aliás comparar as duas é inconcebível: é o mesmo que comparar uma jóia comprada no Tiffany’s com uma chanata num barraco de praia.

Como também comparar Meghan com a mãe do seu marido, a malograda Diana de Gales, é no mínimo embaraçoso. Uma não chega aos calcanhares da outra. Nem em sonhos.

Mas temos no entanto de ser justos: é injusto descarregar todas as responsabilidades por este exercício lamentável em Meghan – afinal de contas ela é uma americana, uma actriz mediana de profissão, e provinda do meio hollywoodiano do supérfluo e do instantâneo. Até porque desde muito cedo os sinais de abandalhamento estavam lá todos em Harry. E numa era em que palavras como dever e sacrifício são sacrificadas no altar da gratificação instantânea e da cultura das celebridades, era uma questão de tempo até este casal fútil se revelar. Demorou afinal uns dois anos.

E ao contrário dos teasers que salientam o “problema” do racismo ou da marginalização de uma mulher em alegado sofrimento mental, cujo estatuto auto-imbuído de vítima não só é uma fantasia para vender likes e visualizações, como é sobretudo uma bofetada de gozo com a situação de milhões de mulheres pobres e negras - verdadeiras vítimas de racismo, de vidas de dificuldade, ou de violência familiar - o que foi mesmo mais chocante de ver foi a traição de um filho ao seu pai e de um irmão ao outro.
Prova de uma cobardia notável Harry não se atreveu a tocar nos avós - afinal a avó é a que lhe pode retirar os títulos com uma caneta e o avô está num hospital - mas não hesitou em dar umas ferradas ao pai e ao irmão.

Ali ressoa despeito e espírito mesquinho. Qual é afinal o filho que vem publicamente perante milhões queixar-se que o pai não lhe atende o telefone? Um reles.

Mas ao contrário do que se diz por aí este episódio da entrevista à rainha do circuito americano das celebridades, consequência natural e inevitável (afinal é preciso pagar as contas) da renúncia de funções do Príncipe Harry e da sua mulher como membros "seniores" da Família Real, não provocará nenhuma grande crise na monarquia britânica.

A monarquia britânica aguentou crises familiares bem piores, a começar pelo furacão mediático da sua mãe, a Princesa Diana - essa sim única e incomparável, e a verdadeira Princesa do Povo - e sem esquecer a soap opera da vida conjugal e pós-matrimonial dos seus pais dos anos 80 e 90. A monarquia aguentou também os casos, a decadência, e a infelicidade pública, da Princesa Margarida, a irmã da Rainha. E a monarquia superou a maior crise de todas: a abdicação de Eduardo VIII, em 1936, e no fundo a razão pela qual todos eles terem a vida que têm.

Pode-se até especular que Harry saiu notoriamente mais à sua mãe, do que ao seu pai. Mas de facto Harry segue é as pisadas do seu tio-bisavô, Eduardo VIII, um vaidoso inconsequente, que abdicou das suas responsabilidades para casar com uma socialite americana, por três vezes divorciada, e para mergulhar numa existência inútil e mundana. Passou uma parte da vida a conspirar contra o seu irmão e Rei, depois de lhe ter deixado o fardo da coroa, e não se coibiu de prejudicar os próprios interesses da sua pátria, deixando-se usar como instrumento para conspirações nazis, e perturbou até ao fim a sua sobrinha e Rainha com a constante obsessão pelo título de Duquesa de Windsor nunca atribuído à sua mulher. Tudo para acabar em Paris, num palacete emprestado, com Wallis Simpson, como dois socialites a arrastarem-se já velhos, cobrando por eventos, presenças e reportagens. Patético.

Pode até dizer-se que Eduardo VIII abdicou por amor. Até pode ser lindo. E é romântico. Mas do ponto de vista do seu dever real esta atitude correspondeu a uma traição à sua missão de vida.

E é o que se passa agora com Harry: atraiçoou o seu irmão e o seu pai e embaraçou a sua avó. Salvo algum cataclismo Harry nunca seria Rei – está afastado da sucessão pelo seu pai, irmão e três sobrinhos - mas poderia e deveria servir a família a quem tudo deve. E deveria saber fazer ver isso à sua mulher.
Desistiu dos seus deveres familiares e públicos, depois de regatear manter uma parte não negligenciável dos seus rendimentos, que provêm da família que ataca e que já não está disposto a servir. Pretende ganhar mais fortunas à conta de Public Relations na América, mas não quer abdicar do seu título, que precisamente lhe dá a patine e o prestígio com que quer comerciar. Quer afinal as prebendas mas dispensa as responsabilidades. O facto é que a Rainha, e sua avó, aos 94 anos, não merecia isto. E por isso o que ele merecia mesmo era que lhe fosse retirado o título e o apanágio, e que para todos os efeitos fosse expulso da família. E que acabasse assim o fim dos seus dias a deambular pela América, de festa em festa, de evento em evento, de mundanidade em mundanidade, de entrevista em entrevista, até ser uma mera curiosidade histórica e um has been. Tal como acabou o seu tio-bisavô.

Sim: porque na cultura das celebridades não há história nem memória. Só há luzes e ruído. Que um dia acabam sempre em sombra e solidão. - Carlos Reis"

P.P.S.: "Poucos sabem mas Meghan não abriu caminho nenhum a nada, a grande diferença é que a família real britânica tem mais protagonismo, apesar da família real do Liechtenstein ser a mais rica de todas as famílias reais reinantes, e também uma das mais antigas. E tal como Harry, o Príncipe Maximilian é o filho segundo do príncipe reinante do Principado de Liechtenstein, Hans-Adam II.
Maximilian é casado desde 2000 com a Princesa Angela de Liechtenstein (neé Angela Brown), panamiana e designer de moda por profissão, o filho de ambos é o Príncipe Aloísio de Liechtenstein, hoje com 20 anos, e é jogador de basquetebol. A diferença está em que uns vêm com uma agenda, outros não."





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