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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Opções

Sua Excelência o Presidente do Governo Regional, o Dr. Miguel Albuquerque, afirmou no passado dia 15 de Fevereiro “que se [os jovens com formação superior] estão desempregados é só por opção: ou estão a fazer uma reciclagem nos conhecimentos ou estão a aprofundá-los ou estão eventualmente a fazer outra coisa. Neste momento todos os jovens qualificados têm uma base de oferta de emprego muito boa, não só aqui como fora da Madeira”.

Assim, ficam as seguintes perguntas:

1. É opção do Governo Regional (e demais partidos na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira) continuar em silêncio político sobre a necessidade de um sistema fiscal próprio que permita a diversificação do tecido económico e, consequentemente, da oferta de emprego, aproveitando a revisão constitucional em curso?

2. É opção do Governo Regional e do Governo da República investir em pelo menos 17 anos de educação de qualidade dos nossos jovens para, depois, os entregar de mão esbanjada a economias concorrências da Região Autónoma da Madeira e de Portugal?

3. É opção dos jovens saltarem de estágio em estágio sem que com isso obtenham experiência no setor onde desempenham o estágio por abuso por parte de certas e determinadas empresas no que diz respeito aos apoios pagos pelos contribuintes no âmbito de tais estágios?

4. É opção dos jovens serem confrontados com descriminação, aquando da contratação, pelo facto de não estarem inscritos no IEM, IP-RAM e assim a sua contratação não ser elegível para apoios pagos pelos contribuintes?

5. É opção dos jovens terem de “competir” num mercado de trabalho onde algumas empresas dão primazia à cunha em detrimento da meritocracia ou de uma oportunidade em igualdade de circunstâncias?

6. É opção dos jovens receberem salários míseros e verem qualquer perspectiva de progressão salarial ser “roubada” pela carga fiscal imposta por um sistema operessivo que não se adequa à nossa realidade insular?

7. É opção dos jovens qualificados viverem num país cuja economia não converge com a Europa, e que ao atual ritmo levaria mais de 100 anos a o fazer, tendo em contas as mais recentes projecções do Fórum para a Competitividade?

Muitas outras questões poderiam ser colocadas, porém o desemprego dos jovens qualificados na Região Autónoma da Madeira não é, na esmagadora maioria dos casos, feito por opção, ainda para mais quando falamos da possibilidade de imigração (com os potenciais sucessos profissionais que tal escolha eventualmente acarrete). Qualquer Madeirense, ou Portossantense, tem conhecimento de causa, quer por experiência própria, quer por familiares, ou por amigos das situações acima descritas. De facto, parece que foi opção de Sua Excelência o Presidente do Governo Regional, não ter escolhido, quiçá, as palavras mais acertadas à interpelação feita pela jornalista.

"Nunca perca uma boa oportunidade de estar calado." - William Penn Adair Rogers, Mayor Honorário de Beverlly Hills

in JM-Madeira

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Brexit e Orelhas Moucas



A 24 de Junho de 2016, a JSD-Madeira alertava o Governo Regional que tomasse uma posição pró-ativa relativamente ao Brexit, sendo que passo a citar as recomendações veiculados no comunicado que essa juventude partidária então fez circular pela comunicação social madeirense: 

 

«1. Recomenda ao Governo Regional, através da Secretaria Regional dos Assuntos Europeus e Parlamentares e em conjunto com a Secretaria Regional de Educação, que reforce a promoção dos valores, da identidade e da importância da União Europeia junto da população, e em especial junto dos jovens. 

2. Recomenda ao Governo Regional, através da Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, que analise e apresente um estudo sobre o impacto económico da saída do Reino Unido, e de Gibraltar, na economia regional, com especial enfoque no setor do Turismo e tendo em conta a [potencial] desvalorização da libra esterlina;

3. Recomenda ao Governo Regional, através da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, que este assegure os direitos de participação da Região Autónoma da Madeira, ao abrigo dos artigos 95.º e 96.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira, nas negociações que venham a decorrer entre o Reino Unido e UE no âmbito [da “ativação] do artigo 50.º do Tratado da União Europeia. 

4. Recomenda ao Governo Regional, através da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus e da Secretaria Regional da Economia, Turismo e Transportes, reforçar os laços económicos e culturais com o Território Ultramarino Britânico de Gibraltar;

5. Recomenda ao Governo Regional, através da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus e da Secretaria Regional da Economia, Turismo e Transportes, a iniciar contactos com vista a estabelecer laços económicos e culturais com a Escócia e a Irlanda do Norte.»

 

A 17 de Janeiro de 2019, quase 3 anos depois do Brexit, a mesma comunicação social madeirense anunciava que Miguel Albuquerque faltava ao Conselho de Estado sobre o Brexit, no qual o negociador-chefe da União Europeia para o ‘Brexit’, o francês Michel Barnier, estaria presente, e após este ter recebido do Presidente da República um Ordem Nacional, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Passados quase 3 anos, o Governo de Albuquerque fez orelhas moucas às recomendações da JSD-Madeira, parecendo ignorar o facto de que à data dos resultados do referendo existiam mais de 100.000 portugueses, madeirenses e jovens incluídos, que viviam no Reino Unido e em Gibraltar ao abrigo do direito de livre circulação e estabelecimento da UE; que cerca de 30% dos turistas que visitavam a Região Autónoma da Madeira eram titulares de passaporte britânico; e que a Região Autónoma da Madeira, enquanto região ultraperiférica da UE, beneficiava direta e indiretamente do facto do Reino Unido e Gibraltar fazerem parte da UE.

 

Passados quase 3 anos quais foram as prioridades do Governo de Albuquerque no que diz respeito ao Brexit?: O partido que está no poder fez orelhas moucas à sua própria juventude partidária durante este tempo todo e o Presidente do Governo Regional faltou ao mais recente Conselho de Estado sobre um assunto que diz respeito à Região.


O Dia em que a Lei nos Declara Idiotas

 Há leis que regulam. Outras que ordenam. E há aquelas, mais raras e mais reveladoras, que insultam. O chamado “Dia de Reflexão” pertence a ...